sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Nome dos Abikús


Às crianças Abíkú que conseguem sobreviver, são dados nomes específicos que fazem referência à sua especial condição de nascimento. Isto deverá ocorrer sempre, no sétimo dia depois de seu nascimento - se for menina, ou no nono dia - se for menino. No caso de gêmeos, os nomes serão dados no oitavo dia após o nascimento. Esta festividade que comporta um ritual é denominada Ikomojade, e tem por finalidade principal, dar aos Abíkús, nomes que desestimulem sua volta ao Orun, alguns dos quais, com seus respectivos significados em português, relacionamos em seguida:

Malómo - não vá embora novamente
Kosokó - não existe mais terra- a terra acabou
Banjokô - sente-se e fique comigo
Durosimi - espere para me enterrar quando eu morrer
Jekiniyin - permita que eu tenha um pouco de respeito
Akisotan - não existe mais mortalha para o sepultamento
Apara - aquele que vai e vem
Okú - o morto
Igbe Koyi - nem a floresta quer você- a selva rejeita essa criança
Enú- Kún-Onipê - o consolador está cansado
Tijú-Icú - envergonhe-se de morrer
Buro-Orí-Iké - fica, espere e veja como serás mimado
Aiye Dun - a vida é doce
Aiye Lagbé - ficamos no mundo
Age Igba - que a riqueza não se perca
Ajuki - o morto viverá
Apaara - frequenta minha casa
Ayomu mo - vai pra o céu e volta
Bajoko – senta-se ao meu lado
Duro – me atende e fica
Duro Joyé – continua a gozar a vida
Sinmi – é difícil ficar enterrado
Shome – difícil fazer as crianças permanecer
Toyé – se ficares, receberás homenagens
Wojú – difícil olhar para os meus olhos
Ebe Loko – implora pra ficar
Ení Lolobo – alguém partiu e voltou
Inu Kuno naipe – estou cansado (a) de receber pêsames
Ikú Faryin – a morte perdoa
Iletan – está acabado
Kike – indulgente
Kaje Yu – não é aceito para morrer
Kokun – não morras mais
Koni Bi Re – não vai lá
Kosile – não vai enterrar mais
Ifari – chamemo-lhes
Kosoko – não vai cruzar o túmulo
Kumipayi – Kuti – a morte não mata mais este aqui
Maku – não morre mais
Matnami – não larga mais a vida
Obi Mesan – não vingarás
Ikú Okura – a morte é apenas um nome
Oku se Hiyn – o morto que retorna
Amatunde – o menino que retorna
Orun Kun – o céu está cheio
Ratini – suporta-me
Tomi Mowo – quem sabe como cuidar
Tijuiko – vergonha da morte
Jekin-niyin – me dá seu preço
Akuji – o que está morto, desperta
Omotundé – a criança voltou.

Como se vê, os nomes Abíkús renegam a morte e a possibilidade de retorno ao Egbe Orun. Ressaltam a vida e o quanto é bom desfrutar das coisas existentes sobre a Terra, principalmente o amor dos pais e irmãos. Estas crianças devem ser chamadas, sempre, por estes nomes, o que ajuda o rompimento definitivo do seu vínculo com o grupo Emeré.
Periodicamente oferecem-se comidas ritualísticas às crianças Abíkú, o que acontece, invariavelmente, por ocasião de seus aniversários natalícios, produzidas principalmente, com feijões e óleo de palma. Acredita-se que durante estes festivais, os espíritos Abíkú se apresentam e, ao participarem do evento, são apaziguados.

REZA PARA OS ABIKÚS
Nibi ti a gbe Agbalagba Osá
L'eri ate,
Osá w'pe k'a ru ebo.
Opé kan sekìsekì
Babalawo Egà L'o da f'egà
Egà l'o da f'Ega. Egà nf'omi je sogbéré omo.
Ha ! nwon ni ki Egà ó ru ebo:
Nwon ni ki Ope ó ru ebo.
Nwon ni nwon ó se awo.
Nwon ni ki awo nã
Ki nwon o le san òre rì fun.
Ope ni howu !
Eni o ba s'ore fun,
Eti she ti o fi ni se ore f'on ?
Ope o ru.
Egà, on ti se t'on le'i bí mó ?
Won ni k'o ru ebo.
kil'on ru ?
Nwon ni e r'egba merinlaã;
K'o ru aso ara e,
Egà ru'bo;
Egà bere s'omo bi.
Nigbati egà o wa ni aso l'ara ma,
Awon omo ni, kini a gba aso l'owo re ?
Ol'ope ni.
l'awon omo ba bere si imo Ope ya;
Ni nwon ba nlo f'aso Ope ya,
Ni nwon fi nko'le.
Nibi ti egà o je ki Ope o gbadun ma,
Ti nwon nya ewe re,
Ti nwon nlo fi ko'le l'oni nu.
Egà ni nwon njo, ni ny'o;
Ni nyin awon awo,
L'awon awo nyin, Sà
Pe be ni awon awo t'on senu re wi.
Ope kan sekiseki
L'o da fegà.
Egà nf'omije se beré omo.
Ope sekiseki. egbi mo tan
o ni ri mò bo'ra.
Osá pe ire aje.
Nibi ti àá gbe gbodo lo
Aso t'a ba gba n'be nu.
A gbodo lõ;
Aso nã, a fi t'ore ni.
B'Osa ti wi nu.

TRADUÇÃO:
Quando as divindades mais velhas surgiram na bandeja.
Os Orixás disseram que devemos oferecer sacrifícios.
Uma Palmeira Repleta de Muitas Folhas
O adivinho de Ave Tecelã da Aldeia foi quem consultou para o pássaro.
Ave Tecelã da Aldeia implorava por filhos.
Ha! Eles disseram que a ave deveria oferecer um sacrifício.
Eles disseram que as marcas deveriam ser cuidadosamente observadas.
A Palmeira disse: "O que? A qualquer um eu trato gentilmente,
Por que não são gentis comigo?"
A Palmeira não fez o sacrifício.
Ave Tecelã da Aldeia, por que não tratar gentilmente o filho do urso ?
Eles disseram que ela deveria oferecer um sacrifício.
O que ela deveria oferecer?
Deveria oferecer vinte e oito mil búzios.
Deveria oferecer a roupa que estivesse vestindo.
Ave Tecelã da Aldeia ofereceu o sacrifício.
Ave Tecelã da Aldeia começou a gerar filhos.
Quando não tinha mais roupa no corpo,
Seus filhos perguntaram: "Quem tomou a tua roupa?"
Ela disse - "Foi a Palmeira".
Seus filhos começaram a rasgar as folhas da Palmeira.
Eles rasgaram a roupagem de folhas da Palmeira.
Eles construíram seus ninhos com elas.
É por isso que os pássaros
Nunca deixam as palmeiras em paz,
Estão sempre se movimentando entre suas folhas.
Ave Tecelã da Aldeia dançou, ela ficou feliz;
Ela louvou as Divindades,
E as Divindades louvaram Oxalá,
Porque seu adivinho foi capaz de falar a verdade.
Uma Palmeira Repleta de Muitas Folhas
Foi aquele que consultou para Ave Tecelã da Aldeia.
Ave Tecelã da Aldeia suplicou por filhos
E não encontrou folhas para vestir o seu corpo.
Orixá diz - "Alegria do dinheiro,
Isso é coisa que não desfrutamos,
A roupa que recebemos como sacrifício
Nós não devemos usar.
“Nós devemos distribuir a roupa como um dom”.
Foi isto que Orixá disse!

virligiams@gmail.com

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