segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Nações do Candomblé


Vamos começar definindo NAÇÃO para nós do candomblé.

Usamos a palavra NAÇÃO para distinguir seus segmentos. Segmentos esses que são diferenciados pelo dialeto utilizado nos rituais, pelo toque dos atabaques, pela liturgia. A nação indica de onde vieram os escravos que lhe deram origem na nova terra e das divindades por eles cultuadas.

Quem veio do Sudão, por exemplo, são representadas pelo grupo YORUBÁ, conhecido como nagô, que por sua vez representado pelas nações:
Ketu
Efan
Ijexá
Nagô Egbá
Batuque do Rio Grande do Sul
Xambá de Pernambuco

O grupo dos DAOMEANOS é representado pelas nações JEJE que são:
Fon
Éwé
Mina
Fanti
Ashanti
e outros menores como Krumans, Agni, Nzema, Timini.

As civilizações islamizadas são representadas por Fulas (Peuhls), Mandingas, Haúça e, em menor número, Tapa, Bornu, Gurunsi ou Grunci.

As civilizações BANTOS do grupo angola-congolês são representadas pelos ambundos de Angola (cassanges, bangalas, in-bangalas, dembos), os congos ou cabindas do estuário do Zaira e os benguela com diversas tribos escravizadas.

As civilizações BANTU da Contra-Costa são representadas pelos moçambiques (macuas e angicos), tendo sido o grupo Bantu reduzido às nações:
Candomblé Bantu
Angola
Congo
Cabinda

Infelizmente, a escravidão dividiu as sociedades africanas em todos os sentidos (e essa é mais uma dívida que temos com os africanos). Com o fim das linhagens, dos clãs, das aldeias, da realeza, se apegou ainda mais aos seus deuses e ritos, uma vez que foi a única coisa que restou de suas regiões de origem.

Guardiões da cultura oral, os escravos guardaram em sua memória os movimentos de dança, os toques dos atabaques, a comida ritual, as rezas e cânticos, na nova terra chamados de Cantiga no candomblé e pontos cantados na Umbanda.

O silêncio, o segredo (calundus) e o isolamento armado em quilombos e mucambos são formas de resistência e esperança de reconstituir na nova terra seus ritos, costumes e hierarquia.

A resistência dos negros ao regime de subordinação ou exploração do qual foram vítimas encontram portas abertas na religião, nos quilombos, confrarias - locais de reuniões assim chamados antes de receberem o nome de candomblés que também foram usados como esconderijo.

A seguir, falaremos de cada uma dessas nações e suas particularidades
Candomblé de Angola
Candomblé Djedje (Gêge ou Jeje)

Candomblé Ketu/Nagô

virligiams@gmail.com

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