sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Nação Abikú


O Abíkú existe em quase toda a África negra, variando apenas na forma de tratamento deste fenômeno.
Vários povos mantêm a mesma crença, embora dêem a eles, nomes diferentes. Os IGBOS os chamam de ogbanje, eze-nwany, agwu ou ainda, iyi-uwa-ogbanje. Entre os NUPE, são conhecidos como kuchi ou gayakpeama. Os FANTI os conhecem pelo nome de kossamah, os AKAN pelo nome de awomawu, e os HAUSSA chamam-nos de danwabi ou kyauta.

Também entre os povos BANTU, originários do Sul da África, encontramos os uafú zá kuíza, cujos funUm Itan de Ifá revela, por intermédio do Odu Irosun Meji, um sacrifício específico para garantir o nascimento de uma criança.

Os Abíkú são na verdade, espíritos que provocam a morte das crianças em que estejam encarnados, ou seja, que provocam a própria morte. A palavra de origem Yorubá e pode ser literalmente traduzida como: "Nós nascemos para morrer".

A ação do Abíkú encarnando-se sucessivas vezes em crianças geradas por uma mesma mulher e provocando sua morte durante a fase de gestação, ou logo após o nascimento, mas sempre antes dos nove anos de idade, é tida e havida como uma verdadeira maldição.

Sabemos que o espírito, já em estágio de adiantada evolução, buscando acelerar ainda mais o processo, provoca esse tipo de fenômeno que, se do ponto de vista espiritual pode ser considerado benéfico, do ponto de vista material é visto como uma desgraça que se abate sobre uma família, determinando dor e luto constantes.

Os espíritos Abíkús formam um grupo denominado Egbe Orun Abíkú, que habita no mundo paralelo que nos rodeia, o Orun, morada dos deuses e dos antepassados.

No Orun, termo que pode ser corretamente traduzido para céu, este grupo de espíritos dividem-se em categorias, de acordo com o sexo, sendo que os pertencentes ao sexo masculino são chefiados por Oloiko (Chefe do grupo) e os de sexo feminino, por Iyajanjasa (A Mãe que bate e corre). Na sua vinda do Orun para o aiye (terra), os espíritos, também conhecidos como Emere, estabelecem um pacto com Onibode Orun, o guardião dos portais do Orun, condicionando sua permanência, no nosso mundo, a determinadas exigências.

Através do pacto formalizado, alguns destes espíritos determina, simplesmente, não nascer, enquanto outros, determinados a voltar logo após seu nascimento, morrem subitamente, quer seja por acidente, quer seja por doença, assim que rompa seu primeiro dente.


Todos os Abíkús são considerados espíritos infantis e possuem companheiros ou amiguinhos mais chegados, com os quais costumam brincar no Orun. Logo que uma destas crianças nasce, seu par começa a interferir na sua vida terrena, aparecendo-lhe em sonhos ou atormentando-o de diversas formas, para que não se esqueça do compromisso assumido, e que retorne, o mais rapidamente possível, ao seu convívio.

virligiams@gmail.com

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