segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Ainda sobre Eguns ...




QUALIFICAÇÕES DE EGUNS
Existem várias qualificações de Egum, como Babá e Apaaraká, conforme sus ritos, e entre os Agbá, conforme suas roupas, paramentos e maneira de se comportarem. As classificações, na verdade, são extensas. 

Nas festas de Egungum, o salão público não tem janelas, e, logo após os fiéis entrarem, a porta principal é fechada e somente aberta no final da cerimônia. Os Eguns entram no salão através de uma porta secundária e exclusiva, os ancestrais são invocados e eles rondam nos espaços do terreiro. Vários Amuxã (iniciados que portam o Ixã) funcionam como guardas para evitar que algum Babá saia do espaço delimitado e invadam as redondezas não protegidas.

Os Eguns são invocados numa outra construção sacra, chamada de Ilê Awô (casa do segredo), na Bahia, e Igbo Igbalé (bosque da floresta), na Nigéria.

DIVISÃO DO ILÊ AWO
O Ilê Awo é dividido em uma ante-sala, onde somente os Ojé podem entrar, e o Lèsànyin ou Ojê Agbá entram. Balé é o local onde estão os Idiegungum, os assentamentos e o Ojubô-Babá, que é um buraco feito na terra, rodeado por vários Ixã, os quais de pé, delimitam o local.

Nos Ojubô são colocadas oferendas para o Egum a ser cultuado. No Ilê Awô também está o assentamento da divindade Oyá na qualidade de Igbalé - a única divindade feminina venerada e cultuada, pelos adeptos e pelos Eguns. No balé os Ojê Atokun vão invocar o Egum escolhido no assentamento e é neste local que o Awô (segredo) - o poder e o axé de Egum - nasce através do conjunto Ojê-Ixã/Idi-Ojubô. A roupa é preenchida e Egum se torna visível aos olhos humanos.

Após saírem do Ilê Awô, os Eguns são conduzidos pelos Amuxã até a porta secundária do salão, entrando no local onde os fiéis os esperam, causando espanto e admiração, pois eles ali chegaram levados pelas vozes dos Ojê, pelo som dos Amuxã, brandindo os Ixã pelo chão e aos gritos de saudação e repiques dos tambores dos Alabês. O clima é realmente perfeito!

ESPAÇO FÍSICO DO ILÊ AWO
O espaço físico do salão é dividido entre sacro e profano.
O espaço sacro é a parte onde estão os tambores, os alabês e cadeiras nas quais os Eguns, após dançarem e cantarem descansam na companhia dos outros, sentados ou andando, mas sempre unidos com sua comunidade. Porque este é o objetivo do culto: unir os vivos com os mortos. Nesta parte, mulheres não podem entrar pois o culto é restrito aos homens.

Mas existem raras e privilegiadas mulheres que são exceção, como se fosse a própria Oyá; elas são iniciadas no culto dos orixás e possuem Oiê (posto e cargo hierárquico) no culto de Egum - estas posições causam inveja à comunidade feminina. Estas mulheres zelam pelo culto, confeccionando roupas, mantendo a ordem no salão, respondendo aos cânticos ou puxando alguns, que só elas têm o direito de cantar para os Babás. 

Este espaço sagrado é o mundo do Egum nos momentos de encontro com seus descendentes.

O espaço profano é dividido em dois lados: à esquerda ficam as mulheres e crianças e à direita, os homens. Após Babá entrar no salão, ele começa a cantar seus cânticos preferidos, porque cada Egum em vida pertencia a um determinado Orixá e esta característica é mantida pelo Egum. Se alguém em vida pertencia a Xangô, quando morto e vindo com Egum, ele terá as características de Xangô, 

O Babá também dançará e cantará suas próprias músicas. Ele conversará com os fiéis, falará em um iorubá arcaico e seu Atokun funcionará como tradutor. Babá-Egum começará perguntando pelos seus fiéis mais frequentes e pelos Oiê femininos depois, pelos outros e finalmente será apresentado às pessoas que ali chegaram pela primeira vez.

Finalizando a conversa com os fiéis, Babá-Egum parte, mas continuará protegendo e abençoando os que foram vê-lo.

Esta é uma breve descrição de Egungum, de uma festa e de sua sociedade, não detalhada para que se compreenda que a morte e a vida através das ancestralidade cultuada nessas comunidades como um reflexo da sobrevivência direta, cultural e religiosa dos iorubanos da Nigéria.

virligiams@gmail.com

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