quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

O Uso do Coco nos Rituais

O coco é usado constantemente pelos espíritos nos trabalhos de construção de campos de força positivos e principalmente para combater o campo, negativo.

De acordo com as entidades, em termos de energia, o coco, tem a mesma força e importância da energia do sangue.

Os povos do Caribe já usavam esse fruto, pela impossibilidade de obterem o obí, num tipo de ritual denominado "Oráculo de Biaguê" que consiste em quatro pedaços de coco que são usados em substituição aos quatro segmentos do obí.


O coco é utilizado como oferenda principal aos Orixás, Eguns, Exús e até mesmo a Orí em muitas formas de borí.

Lenda:
Quando Obatalá, dono do coco, reuniu todos os Orixás para dar-lhes mando e hierarquia, isto foi feito embaixo de um coqueiro. Obatalá colocou aos pés de cada Orixá um coco partido, por isso todos os Orixás têm direito ao coco, embora o coco inteiramente descascado, seja um direito exclusivo de Obatalá. Todos os Orixás sentaram-se ao redor do coqueiro para ouvirem com muito respeito e atenção as instruções de Obatalá, com exceção de Obaluayê que se mostrou relutante em aceitar as ordens e orientações que lhe eram dirigidas. Obatalá no entanto, conseguiu convencê-lo e, com muita paciência, fez com que acatasse suas ordens e orientações. Desde então, não é possível que se proceda a nenhum ritual sem que se ofereça cocos aos Orixás e aos Eguns.



Procedimento para oferecer coco aos Orixás e a Egun:

Escolhe-se um coco maduro, rompe-se a casca externa e tira-se a parte comestível e joga a casca grossa fora.
A casca mais fina é mantida.
Corta-se em 04 pedaços, lava-se muito bem e coloca num prato com a parte branca para cima e arreia nos pés do Orixá ao qual se destina o sacrifício.
Os mesmos quatro pedaços são utilizados no jogo para saber se a oferenda foi aceita.

Para cada entidade, existe uma saudação diferente de acordo com o que se segue:

Para Elegbara:
Laroyê aki Bara Barabá
Exú ború, ború, Exú boyá, Exú boxixe!
Exú Bara Barakikenio

Para Ogun:
Oun xibiriki ala Oluo kobu, kobu
Oké babá mi siú biriki
Kpalo to ni gba
Osun du rogago la bo sie

Para Oxóssi:
Oxóssi Odé mata ata mata
Si du ró mata!

Para Xangô:
Elueko Asósain a kata jéri, jéri
Kawo Kabiesile!
Ala tutan, ala layi apendé
Yeyeni ogan gelé
Yuo okuré ari kasagun.

Para Yemanjá:
Iyá mi o atara magba mio jójoo
Axere Ogun ayaba odun
Omi o Yemanjá asaiyabi Olokun,
Aboyo, aboyo yogun ewo
Aya balo ewo mi emi boxe
Iyá olomi akara biaye
Yemanjá igbere ekun asayabio
Olokun ya bi elede omo ariku
Alalajara de yuoma kamariku
Kamari arun, kamari ejo
Kamari ofo kamari yen bipene.

Para Oyá:
Iyansan Onire omá lelú Oyá kojé kofiedeno
Oyá aji lo da aji mi mo omi enti omó kpe eye
Orunla mio talembe mi lo jekuá jei Iyansan
Iyansan oro iku jere obini dodo.

Para Oxum:
Oxun igba Iyami mo!
Igba Iyami o!
Iko bo Iyami gbasi, Iyami mo
Iyalode ogbido abala abe de bu omi male ado
Elegbeni kikirisokede
To xe ni Kpele, Kpele Yeye moro.

Para Obatalá:
Obatalá obatasi
Obada bada badanera
Ye okulaba okulá. Axé Olobo
Axá omo, Axé ku Baba
Obatalá dibenigba binike
Ala lolaá axé afiju
Oxé ai lala
Abi koko. Ala ru mati le.

Para Obaluayê:
Obaluayê ogoro nigá eloni
Agbá litasa Baba Singbe, ibá eloni
Ogoro Xaponam. Agô.

Para Egun:
Axé Baba adagba,
Axé Babadona Orun
Adiatoto adafun ala kentagbada omo ayê
Agô.

Axé a todas e todos!

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