quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Adimús


Adimús são ofertas ou sacrifícios que são apresentados às divindades a fim de se obter um favor ou o pagamento de um favor já obtido, nesse caso o Adimú seria um agradecimento.

No culto aos Orixás, o mais importante são as oferendas, cuja finalidade é manter o equilíbrio das relações entre eles e nós - seres humanos. Esse é o significado de Adimú.

A seguir, colocarei os Adimús mais comuns, preparados para os Orixás:

Para Exú:
Corta-se um coco seco ao meio, no sentido horizontal. Uma das metades é cheia de mel de abelhas, a outra é cheia de aguardente. Arreia-se aos pés de Exú com uma vela acesa. No terceiro dia despacha-se nas águas de um rio.

Para Egun:
Coloca-se de molho, numa panela de barro, uma quantidade de farinha de milho bem fina (milharina). Esta farinha deverá permanecer de molho por dois ou três dias até que fermente. Uma vez fermentada, acrescenta-se canela em casca; anis estrelado em pó e açúcar mascavo. Cozinha-se em fogo lento. Quando tudo tiver adquirido a consistência de uma massa, retira-se do fogo e enrola-se em folhas de mamona Depois de enroladas e bem amarradas para que não se abram, coloca-se uma panela com água para ferver. Assim que a água estiver fervendo, coloca-se dentro, as trouxinhas, deixando que cozinhem durante quinze minutos, retirando-se em seguida e colocando-se de lado para que esfriem. Quando estiverem frias, retira-se da folha e arruma-se numa travessa de barro, regando com bastante mel. Deve-se fazer sempre, um número de nove oguidís ou então, o número correspondente ao Odu que determinou a oferenda. Entrega-se a Egun na porta do cemitério ou nos pés de uma árvore seca.

Para Ogun:
Preparam-se sete ecós, coloca-se num alguidar com uma moeda corrente e um grão de ataré em cima de cada um. Depois de arrumados, acrescenta-se azeite de dendê, mel de abelhas e manteiga de cacau derretida. Junta-se, dentro do alguidar, bastante milho torrado e rega-se com aguardente. Arreia-se diante de Ogun com uma vela de sete dias. Despacha-se numa via férrea.

Para Oxóssi:
Descasca-se e frita-se ligeiramente, em gordura de coco, sete cebolas de casca vermelha. Arruma-se tudo numa panela de barro e cobre-se com anis estrelado em pó; melado de cana; azeite de dendê; pó de peixe defumado e milho torrado. Arreia-se nos pés de Oxóssi com duas velas de sete dias acesas. Depois de sete dias despacha-se na mata sem desarrumar o adimú.

Para Logun-Edé:
Rala-se sete espigas de milho verde bem tenras. À massa obtida acrescenta-se coco ralado e açúcar. Envolve-se a massa nas folhas mais tenras que envolvem as espigas, formando uma espécie de trouxinha que se amarra em cima com palha da costa. Mergulha-se as trouxinhas em água fervente e retira-se logo em seguida. Deixa-se esfriar, abre-se as trouxinhas, arruma-se numa travessa ou prato de louça. Ao redor coloca-se fatias de coco seco cortado em tiras, rega-se com bastante mel e oferece-se ao Orixá. Despacha-se numa cachoeira.

Para Iemanjá:
Descasca-se sete cebolas brancas e frita-se, ligeiramente, em azeite de amêndoas. Depois de bem douradas as cebolas, abre-se nelas, com uma faquinha, um buraco onde se introduz um papel com o pedido que se deseja obter e um grãozinho de ataré. Coloca-se as cebolas num prato branco e se acrescenta, sobre elas, os seguintes ingredientes: Mel de abelhas; melado de cana; um pouco de vinho branco; um pouco de vinho tinto suave e bastante milho torrado. Deixa-se, durante sete dias, diante do igbá do Orixá, sempre com velas acesas. Despacha-se na beira da praia.

Para Oxum:
Um mamão bem maduro aberto ao meio, do qual se retira todas as sementes. Enfeita-se o mamão por dentro e por fora com ramos de salsa; coloca-se dentro do mamão, 5 gemas de ovos de galinha e cobre-se com bastante mel de abelhas. Junta-se as duas partes do mamão e coloca-se, sobre um prato, diante de Oxun, com duas velas acesas. No dia seguinte despacha-se num rio.

Para Nanã:
13 cebolas roxas descascadas e fritas em azeite doce; 13 espigas de milho verde assadas na brasa; 13 rodelas de aipim cozido com casca; milho torrado e pipoca feita no dendê. Arruma-se, num alguidar, primeiro o milho torrado e as pipocas. Por cima dispõem-se as rodelas de aipim, as espigas e as cebolas. Rega-se com azeite de dendê e deixa-se 13 dias diante de Nanã. Despacha-se no mato.

Para Oxumarê:
Com a massa de uma batata doce cozida, modela-se uma cobra dentro de uma travessa de barro. Ao redor da cobra, arruma-se 15 ovos de galinha nos quais colocou-se, por uma pequena abertura feita numa das extremidades, os seguintes ingredientes (para cada ovo): 1 grão de ataré; 1 semente de fava de aridã; 1 semente de bejerekun e 1 grão de lelekun. Arreia-se diante do Orixá e despacha-se, no dia seguinte, nos pés de uma árvore frondosa.

Para Xangô:
Arruma-se, numa gamela grande, 12 tomates maduros; 12 laranjas-da-china; 12 bananas-da-terra verdes; um inhame-da-costa; uma cabaça de pescoço; 12 orogbôs; 12 caramelos; 12 fatias de pão e 12 ataré. Rega-se tudo com muito mel de abelhas, vinho tinto e melado de cana. Coloca-se diante de Xangô e deixa-se por 12 dias, renovando a vela diariamente. No fim dos doze dias leva-se a um campo e deixa-se ali.

Para Ewá:
Cozinha-se 16 pedaços de mandioca cortados em cubo. Depois de bem cozidos, coloca-se numa panela de barro onde se acrescenta: Melado de cana; mel de abelhas; canela em casca e 8 favas de anis estrelado. Deixa-se ferver em fogo brando durante vinte minutos. Retira-se do fogo e, depois de frio, coloca-se à Ewá, deixando por sete dias com velas acesas. Despacha-se num rio.

Para Iansã:
Descasca-se 9 cebolas roxas das pequenas e frita-se, inteiras, em azeite de dendê. Coloca-se as cebolas e o óleo que sobrou da fritura numa panela de barro e, por cima, coloca-se: Milho torrado; feijão fradinho torrado; vários pedacinhos de coco seco; um copo de vinho rosado; um pouquinho de melado de cana; pó de ataré e pó de osun. Entrega-se diante do igbá ou dentro de uma mata.

Para Obaluayê:
Pega-se sete berinjelas, parte-se ao meio e frita-se ligeiramente em azeite de dendê. Arruma-se os 14 pedaços de beringela num recipiente de barro e, sobre cada um, coloca-se uma bolinha de ori-da-costa com um grão de ataré em cima. Tempera-se com azeite de dendê, melado de cana e vinho tinto. Cobre-se com pipocas feitas na areia e arreia-se nos pés de Obaluayê, deixando por sete dias. Despacha-se nos pés de uma árvore dentro da mata.

Para Oxalá:
Obatalá é um Orixá que pode ser facilmente agradado com frutas. Dentre as diversas frutas que podem ser oferecidas em seus adimús, destacamos: Coco verde ou seco, (sempre que se oferecer coco seco a Obatalá, é imprescindível que se retire a película escura que fica agarrada à polpa da fruta); uvas brancas ou rosadas; laranja lima; lima da Pérsia; fruta-do-conde; melão; mamão; fruta-pão (uma de suas preferidas); pêssegos; frutas secas como: passas; tâmaras; figos; nozes; avelãs etc. (as frutas demasiadamente ácidas ou de cascas e polpas vermelhas ou pretas, devem ser evitadas).

Para Obá:
Cozinha feijão fradinho, mistura-se num refogado de cebolas raladas, camarão seco socados, azeite de dendê e água. Adiciona farinha de mandioca fazendo um pirão, coloca-se num oberó e arreia na beira de um lago com muitas flores e velas.

Para Irôco:
Cozinha-se camarão com todos os temperos, isto é, cebola, coentro, tomate, pimentão, sal e azeite Quando amolecer e estiver caldo grosso, com o auxílio do machucador, esmaga-se o camarão. Mistura-se com arroz cozido e farinha de goma até os dedos ficarem limpos. Formam-se bolos que são fritos de preferência no azeite de dendê.

Para Ossaim:
Corte o abacate no meio e tire a semente, coloque as duas partes numa travessa com a polpa virada para cima. Numa panela misture o amendoim e o açúcar e mexa até derreter o açúcar, derrame essa mistura sobre o abacate. Enfeite com pedaços de fumo em corda e as 7 folhas de louro. A comida ritualística mais conhecida seria o padê de mel, coberto de fumo de rolo servido com um coité de cachaça e entregue com uma vela preta e amarela.

Espero que tenham gostado e que Deus e os Orixás nos abençoe. 
Axé ô!


virligiams@gmail.com

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