segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

INICIAÇÃO

Hoje falaremos de INICIAÇÃO.
A iniciação é um elemento que determina a união entre o grupo que forma a hierarquia de um terreiro, pois todos passarão pelo mesmo ritual e conhecerão todas as dificuldades a serem enfrentadas.

A primeira etapa da iniciação é o "bolar" para o santo. Esse é um forte sinal de que há necessidade de iniciação. Acontece geralmente quando a pessoa participa de um xirê (toque) e o Orixá acaba se manifestando em estado bruto. É como desmaiar, mas o Orixá está ali - manifestado. 

A pessoa é então levada para o Roncó para ser trazida de volta do transe. Se decidir se iniciar, caberá ao sacerdote consultar o jogo de búzios para determinar o Orixá - dono da cabeça - e todo o material a ser utilizado na feitura.

CERIMÔNIA DO BORÍ:
É dar comida a Cabeça, alimentar o Orí.
O Orixá agora tem o direito de "tomar" aquela cabeça porque foi permitido pelo novo adepto. Neste momento dá-se início a uma união definitiva, pelo resto da vida. 

Nessa obrigação são consagrados objetos, animais e símbolos de acordo com o Orixá de cabeça de cada filho (a). A reclusão do Borí dura de três a sete dias em média, dependendo da cada casa e de cada culto.

O ORÔ:
É o assentamento propriamente dito do Orixá.
É o dia em que o Abian raspará a cabeça e fará os cortes rituais em seu corpo que propiciarão a manifestação do Orixá. 

Em seu corpo serão feitas as pinturas rituais com os pós Waji, Ossum e Efun e ele/ela, receberá também o fio de contas (Kelê) no pescoço que é a marca final da cabeça, que recebeu o sacrifício. 
Essa marca torna-se sagrada pelo resto da vida!
virligiams@gmail.com

sábado, 14 de janeiro de 2017

Voltando...



Depois de um longo período sem postar, estou de volta.
Nesse começo, nesse retorno, vou precisar de vcs, seguidores, leitores, povo do santos, curiosos....quero sugestões.
O que devo falar?
O que vcs acham importante para ser discutido?
O que NÃO é mais necessário falar?
Estou esperando vocês.
Abraço fraterno a todas e todos.
Lígia Moura
virligiams@gmail.com

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Sociedade Egunguns



Os negros iorubanos originários da Nigéria trouxeram para o Brasil o culto dos seus ancestrais chamados Eguns ou Egunguns. Em Itaparica (BA), duas sociedades perpetuam essa tradição religiosa. Esses iorubanos não apenas adoram e cultuam suas divindades, mas também seus ancestrais, principalmente os masculinos.

A morte não é o ponto final da vida para o iorubano, pois ele acredita na reencarnação (àtúnwa), a pessoa renasce no mesmo seio familiar ao qual pertencia revivendo em um dos seus descendentes.

Orô é uma divindade sendo considerado o representante geral dos antepassados masculinos e cultuado somente por homens. Tanto Iami quanto Orô são manifestações de culto aos mortos. São invisíveis e representam à coletividade, mas o poder de Iami é maior e, portanto, mais controlado, inclusive pela Sociedade Orô.

FINALIDADE DA SOCIEDADE EGUNGUN
As "Sociedades Egungum" têm como finalidade celebrar ritos a homens que foram figuras destacadas em suas sociedades quando vivos, para que eles continuem presentes entre seus descendentes de forma privilegiada. Esses mortos surgem de forma visível, mas camuflada, a verdadeira resposta religiosa da vida pós-morte, denominada Egum ou Egungum.

Somente os mortos do sexo masculino fazem aparições, pois só os homens possuem a individualidade, às mulheres é negado este privilégio, assim como o de participar diretamente do culto.

No Brasil existem duas sociedades de Egungum, cujo tronco comum remonta ao tempo da escravatura: Ilê Agboulá, a mais antiga, em Ponta de Areia, e uma mais recente e ramificação da primeira, o Ilê Oyá, ambas em Itaparica, Bahia.

O Egum é a morte que volta à terra em forma espiritual e visível aos olhos dos vivos. Ele "nasce" através de ritos que sua comunidade elabora e pelas mãos dos Ojé (sacerdotes) munidos de um instrumento invocatório, um bastão chamado Ixã, que quando tocado na terra por três vezes e acompanhado de palavras e gestos rituais, faz com que a "morte se torne vida" e o Egungum ancestral individualizado está de novo "vivo”.

A aparição dos Eguns é cercada de total mistério, diferente do culto aos Orixás. 

APRESENTAÇÃO DO EGUN
Apresenta-se com uma forma corporal humana totalmente recoberta por uma roupa de tiras multicoloridas, que caem da parte superior da cabeça formando uma grande massa de panos, da qual não se vê nenhum vestígio do que é ou de quem está sob a roupa. Fala com uma voz gutural inumana, rouca, ou às vezes aguda metálica e estridente - característica de Egum, chamada de séègí ou sé, e que está relacionada com a voz do macaco marrom, chamado Ijimerê na Nigéria.

As tradições religiosas dizem que sob a roupa está somente a energia do ancestral; outras correntes já afirmam estar sob os panos algum mariwo (iniciado no culto de Egum) sob transe mediúnico. Pelo sim ou pelo não, Egum está entre os vivos, e não se pode negar sua presença.

A ROUPA DO EGUN

A roupa do Egum - chamada de Eku na Nigéria ou Opá na Bahia - é altamente sacra ou sacrossanta e por dogma, nenhum humano pode tocá-la.

O Egum é a materialização da morte sob as tiras de pano, e o contato, ainda que um simples esbarrão nessas tiras seja prejudicial e mesmo os mais qualificados sacerdotes - como os Ojé Atokun, que invocam, guiam e zelam por um ou mais Eguns - desempenham todas essas atribuições substituindo as mãos pelo Ixã.

Os Egum-Agbá (ancião), também chamados de Babá-Egum (pai), são Eguns que já tiveram os seus ritos completos e permitem, por isso, que suas roupas sejam mais completas e suas vozes sejam liberadas para que eles possam conversar com os vivos.

Os Apaaraká são Eguns mudos e suas roupas são as mais simples: não têm tiras e parece um quadro de pano com duas telas, uma na frente e outra atrás. Esses Eguns ainda estão em processo de elaboração para alcançar o status de Babá; são traquinos e imprevisíveis, assustam e causam terror ao povo.

O Eku dos Babás é dividido em três partes:
1. O Abalá, que é uma armação quadrada ou redonda, como se fosse um chapéu que cobre totalmente a extremidade superior do Babá e da qual caem várias tiras de panos coloridas, formando uma espécie de franjas ao seu redor;

2. O Kafô, que uma túnica de mangas que acabam em luvas e pernas que acaba igualmente em sapatos;

3. O Banté, que é uma tira de pano especial presa no kafô e individualmente decorada e que identifica o Babá. O banté, que foi previamente preparado e impregnado de axé (força, poder, energia transmissível e acumulável), é usado pelo Babá quando está falando e abençoando os fiéis. Ele sacode na direção da pessoa e esta faz gestos com as mãos que simulam o ato de pegar algo, no caso o axé, e incorporá-lo. Ao contrário do toque na roupa, este ato é altamente benéfico.


Na Nigéria, os Agbá-Egum portam o mesmo tipo de roupa, mas com alguns apetrechos adicionais: uns usam sobre o Alabá máscaras esculpidas em madeira chamadas Erê Egungum; outros, entre os Alabá e o Kafô, usam peles de animais. Alguns Babás carregam na mão o Opá Iku e às vezes, o Ixã. Nestes casos, a ira dos Babás é representada por esses instrumentos litúrgicos.

virligiams@gmail.com

Ainda sobre Eguns ...




QUALIFICAÇÕES DE EGUNS
Existem várias qualificações de Egum, como Babá e Apaaraká, conforme sus ritos, e entre os Agbá, conforme suas roupas, paramentos e maneira de se comportarem. As classificações, na verdade, são extensas. 

Nas festas de Egungum, o salão público não tem janelas, e, logo após os fiéis entrarem, a porta principal é fechada e somente aberta no final da cerimônia. Os Eguns entram no salão através de uma porta secundária e exclusiva, os ancestrais são invocados e eles rondam nos espaços do terreiro. Vários Amuxã (iniciados que portam o Ixã) funcionam como guardas para evitar que algum Babá saia do espaço delimitado e invadam as redondezas não protegidas.

Os Eguns são invocados numa outra construção sacra, chamada de Ilê Awô (casa do segredo), na Bahia, e Igbo Igbalé (bosque da floresta), na Nigéria.

DIVISÃO DO ILÊ AWO
O Ilê Awo é dividido em uma ante-sala, onde somente os Ojé podem entrar, e o Lèsànyin ou Ojê Agbá entram. Balé é o local onde estão os Idiegungum, os assentamentos e o Ojubô-Babá, que é um buraco feito na terra, rodeado por vários Ixã, os quais de pé, delimitam o local.

Nos Ojubô são colocadas oferendas para o Egum a ser cultuado. No Ilê Awô também está o assentamento da divindade Oyá na qualidade de Igbalé - a única divindade feminina venerada e cultuada, pelos adeptos e pelos Eguns. No balé os Ojê Atokun vão invocar o Egum escolhido no assentamento e é neste local que o Awô (segredo) - o poder e o axé de Egum - nasce através do conjunto Ojê-Ixã/Idi-Ojubô. A roupa é preenchida e Egum se torna visível aos olhos humanos.

Após saírem do Ilê Awô, os Eguns são conduzidos pelos Amuxã até a porta secundária do salão, entrando no local onde os fiéis os esperam, causando espanto e admiração, pois eles ali chegaram levados pelas vozes dos Ojê, pelo som dos Amuxã, brandindo os Ixã pelo chão e aos gritos de saudação e repiques dos tambores dos Alabês. O clima é realmente perfeito!

ESPAÇO FÍSICO DO ILÊ AWO
O espaço físico do salão é dividido entre sacro e profano.
O espaço sacro é a parte onde estão os tambores, os alabês e cadeiras nas quais os Eguns, após dançarem e cantarem descansam na companhia dos outros, sentados ou andando, mas sempre unidos com sua comunidade. Porque este é o objetivo do culto: unir os vivos com os mortos. Nesta parte, mulheres não podem entrar pois o culto é restrito aos homens.

Mas existem raras e privilegiadas mulheres que são exceção, como se fosse a própria Oyá; elas são iniciadas no culto dos orixás e possuem Oiê (posto e cargo hierárquico) no culto de Egum - estas posições causam inveja à comunidade feminina. Estas mulheres zelam pelo culto, confeccionando roupas, mantendo a ordem no salão, respondendo aos cânticos ou puxando alguns, que só elas têm o direito de cantar para os Babás. 

Este espaço sagrado é o mundo do Egum nos momentos de encontro com seus descendentes.

O espaço profano é dividido em dois lados: à esquerda ficam as mulheres e crianças e à direita, os homens. Após Babá entrar no salão, ele começa a cantar seus cânticos preferidos, porque cada Egum em vida pertencia a um determinado Orixá e esta característica é mantida pelo Egum. Se alguém em vida pertencia a Xangô, quando morto e vindo com Egum, ele terá as características de Xangô, 

O Babá também dançará e cantará suas próprias músicas. Ele conversará com os fiéis, falará em um iorubá arcaico e seu Atokun funcionará como tradutor. Babá-Egum começará perguntando pelos seus fiéis mais frequentes e pelos Oiê femininos depois, pelos outros e finalmente será apresentado às pessoas que ali chegaram pela primeira vez.

Finalizando a conversa com os fiéis, Babá-Egum parte, mas continuará protegendo e abençoando os que foram vê-lo.

Esta é uma breve descrição de Egungum, de uma festa e de sua sociedade, não detalhada para que se compreenda que a morte e a vida através das ancestralidade cultuada nessas comunidades como um reflexo da sobrevivência direta, cultural e religiosa dos iorubanos da Nigéria.

virligiams@gmail.com

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Abikús


Um dos maiores mistérios existentes no culto aos Orixás, é o que envolve os Abíkús, espíritos infantis que, conforme determina o próprio nome, nascem para morrer. Talvez porque envolva espíritos infantis ou por falta de informações exatas sobre o assunto e por conta disso, muitas crenças são criadas e quase sempre absurdas.

O fato é que os Abikus:
NÃO são uma maldição;
NÃO são espíritos maléficos;
NÃO matam a própria mãe;
NÃO tem poderes sobrenaturais;
NÃO são bruxos;
NÃO incorporam;
NÃO podem receber cargos, muito embora sejam bastante respeitados e acredita-se que nenhum malefício possa atingi-los, o que também não é verdade.

É fato também, que um filho representa um grande tesouro. E para o Africano não é diferente. Na África, mulheres estéreis são consideradas como verdadeiras inutilidades.
Isso pode ser comprovado no Itan do Odú Ogbe-Hunle:

Omo l'okun
Omo ni de
Omo ni jingindinringin
A mu se yi, mú s'orun Ara eni.

TRADUÇÃO:
Um filho é como contas de coral vermelho.
Um filho é como o cobre.
Um filho é como alegria inextinguível.
Uma honra apresentável, que nos representará depois da morte.





Os Abikús são pessoas normais e como tal devem ser tratados porque é isso que são: NORMAIS com características diferentes dos demais tidos como “povo do santo”. Na iniciação sua cabeça é protegida por uma meia cabaça, pois segundo se acredita, sobre o orí de um Abíkú, não pode correr sangue.

O conceito de Abíkú deve ser reavaliado por nossos sacerdotes, já que este fenômeno ocorre em todas as partes do mundo e é necessário que nossos líderes religiosos não só o conheçam e compreendam profundamente, como possuam também, condições de solucioná-lo, sem mistificações, através de uma prática ritualística simples, mas muito efetiva.

É necessário, acima de tudo, que, uma vez contata a presença de um espírito Abíkú, os pais e as mães sejam informados de forma correta, sem medo ou repulsa e sem nenhuma conotação de perversão ou depravação espiritual, o que, sem dúvida, poderá ser obtido com muita fé e devoção aos Orixás.

virligiams@gmail.com

Lenda relacionada aos Abikús


Segundo a lenda, os Abikús vieram à terra, pela primeira vez, na localidade denominada Awaiye, trazidos por Alawaiye, rei de Awaiye e seu chefe no Orun. O grupo era formado por 280 espíritos que, parando no portal do céu, fizeram diversos pactos, condicionando seu retorno a diferentes situações, que variavam de acordo com a escolha de cada um. Desta forma, alguns estabeleceram a data de sua morte para depois que vissem, pela primeira vez, o rosto de suas mães; outros, para quando completassem sete dias de nascidos; outros ainda, para quando começassem a andar; alguns, para quando ganhassem um irmão mais novo; outros, para quando se casassem ou construíssem uma casa. Aqueles que nascessem comprometiam-se a não aceitar o amor de seus pais e, todos os presentes e agrados recebidos, seriam inúteis para retê-los na Terra, ao passo que alguns, se comprometeram, simplesmente, a provocarem seus próprios abortos, não chegando sequer a nascer. Estabeleceram ainda que, se seus pais adivinhassem seus rituais, roupas e oferendas, e, se em tempo hábil os oferecessem, concordariam em permanecer neste mundo.

Determinaram ainda entre si um ritual no qual, roupas, chapéus e turbantes tingidos de osun, com valor simbólico de 1.400 cawrís, deveriam ser pendurados nas árvores de um bosque especialmente consagrado para seu culto. Folhas sagradas deveriam ser friccionadas em seus corpinhos já tingidos de osun, shaworos seriam colocados em seus tornozelos, pequenas incisões seriam feitas em seus corpos, e, através delas, pós mágicos de diversas folhas, seriam inseridos como proteção. Com os mesmos pós, seriam confeccionados amuletos de couro, denominados ondê, que deveriam ser presos às suas cinturas. Alguns deles deveriam levar nos tornozelos, argolas e correntes de ferro, para evitar que fugissem para o Orun e, suas oferendas, conforme determinariam os Itan Ifá, seriam compostas de cabras, pombos, galos, doces, diversos tipos de cereais, bebidas e guizos, que deveriam ser entregues no bosque sagrado, soltas nas águas de um rio, ou enterradas em suas margens. Somente assim, concordariam em permanecer sobre a Terra.

Apesar disto, se Iyajanjasa ou Oloiko insistissem em levar alguns deles de volta para o Orun, seus corpos sem vida deveriam ser marcados com escarificações, queimaduras ou mutilações, para que seus colegas do Orun, não os reconhecendo, se negassem a aceitá-los no egbe. As mesmas marcas, reaparecendo nos corpos que tomassem para renascer, serviriam para que pudessem ser identificados e, imediatamente, submetidos aos procedimentos mágicos que fariam com que prolongassem suas vidas.

Segundo as tradições, o Ipori ao atingir elevado estágio de evolução, costuma reunir-se em grupos, aguardando em copas de determinadas árvores consideradas sagradas, situadas em trilhas existentes em alguns bosques. A passagem de uma mulher de "corpo aberto", ou seja, em fase de menstruação, é por ele esperada para que, através dessa "abertura", possa estabelecer-se em seu interior, aguardando ali, que ocorra a fecundação, quando então, aloja-se no embrião, dando início a uma nova encarnação que poderá ser interrompida antes do total desenvolvimento do feto, ou num período de nove anos após o nascimento, conforme seja o seu plano de mais rapidamente processar sua evolução.

A ocorrência de abortos sucessivos, ou a morte dos filhos ainda pequenos, configuram-se como sintomas da presença de um Abíkú e, contatada essa presença, a mulher afetada deve submeter-se a um complexo tratamento espiritual, tendo que reunir-se a um grupo denominado Egbe Obá, onde é praticado um culto específico a Abíkú.

Como parte integrante do Egbe Obá, a mulher passa por uma série de procedimentos ritualísticos que visam garantir o nascimento de seu próximo filho, não por intermédio da expulsão do Abíkú alojado em seu corpo, mas através de sua concordância do mesmo em nascer e continuar vivendo no corpo em gestação, por um período correspondente à média normal de vida humana.

virligiams@gmail.com

Nação Abikú


O Abíkú existe em quase toda a África negra, variando apenas na forma de tratamento deste fenômeno.
Vários povos mantêm a mesma crença, embora dêem a eles, nomes diferentes. Os IGBOS os chamam de ogbanje, eze-nwany, agwu ou ainda, iyi-uwa-ogbanje. Entre os NUPE, são conhecidos como kuchi ou gayakpeama. Os FANTI os conhecem pelo nome de kossamah, os AKAN pelo nome de awomawu, e os HAUSSA chamam-nos de danwabi ou kyauta.

Também entre os povos BANTU, originários do Sul da África, encontramos os uafú zá kuíza, cujos funUm Itan de Ifá revela, por intermédio do Odu Irosun Meji, um sacrifício específico para garantir o nascimento de uma criança.

Os Abíkú são na verdade, espíritos que provocam a morte das crianças em que estejam encarnados, ou seja, que provocam a própria morte. A palavra de origem Yorubá e pode ser literalmente traduzida como: "Nós nascemos para morrer".

A ação do Abíkú encarnando-se sucessivas vezes em crianças geradas por uma mesma mulher e provocando sua morte durante a fase de gestação, ou logo após o nascimento, mas sempre antes dos nove anos de idade, é tida e havida como uma verdadeira maldição.

Sabemos que o espírito, já em estágio de adiantada evolução, buscando acelerar ainda mais o processo, provoca esse tipo de fenômeno que, se do ponto de vista espiritual pode ser considerado benéfico, do ponto de vista material é visto como uma desgraça que se abate sobre uma família, determinando dor e luto constantes.

Os espíritos Abíkús formam um grupo denominado Egbe Orun Abíkú, que habita no mundo paralelo que nos rodeia, o Orun, morada dos deuses e dos antepassados.

No Orun, termo que pode ser corretamente traduzido para céu, este grupo de espíritos dividem-se em categorias, de acordo com o sexo, sendo que os pertencentes ao sexo masculino são chefiados por Oloiko (Chefe do grupo) e os de sexo feminino, por Iyajanjasa (A Mãe que bate e corre). Na sua vinda do Orun para o aiye (terra), os espíritos, também conhecidos como Emere, estabelecem um pacto com Onibode Orun, o guardião dos portais do Orun, condicionando sua permanência, no nosso mundo, a determinadas exigências.

Através do pacto formalizado, alguns destes espíritos determina, simplesmente, não nascer, enquanto outros, determinados a voltar logo após seu nascimento, morrem subitamente, quer seja por acidente, quer seja por doença, assim que rompa seu primeiro dente.


Todos os Abíkús são considerados espíritos infantis e possuem companheiros ou amiguinhos mais chegados, com os quais costumam brincar no Orun. Logo que uma destas crianças nasce, seu par começa a interferir na sua vida terrena, aparecendo-lhe em sonhos ou atormentando-o de diversas formas, para que não se esqueça do compromisso assumido, e que retorne, o mais rapidamente possível, ao seu convívio.

virligiams@gmail.com

Tratamento Espiritual para os Abikús


Um babalawo, especialista no trato com, indica o ebó que irá garantir o nascimento com vida do próximo filho da mulher em questão, mantendo-o vivo, retendo-o sobre a Terra e rompendo, definitivamente, sua ligação com o Orun.

Iniciado o tratamento espiritual, a mulher tem o corpo, principalmente o abdome, esfregado com folhas sagradas, toma banhos e chás das mesmas folhas e passa a cuidar de uma entidade feminina chamada Egbe Eleriko, que atormenta as crianças durante o sono, produzindo marcas e ferimentos superficiais em seus corpos.

Um assentamento de Egbe Eleriko é feito em sua casa, onde, anualmente, serão oferecidos sacrifícios de animais, com toques, cânticos e danças ritualística. Esta entidade tem que ser cultuada permanentemente e, a cada cinco dias, cabaças com oferendas lhe é oferecida num rio.
Dentro destas cabaças são colocados ovos, obís, favas bejerekun, akasá, bananas, doces, inhame, acarajés, cana-de-açúcar e penas ekodidé, tudo em número de seis. A cabaça é fechada e, depois de colocada dentro de um saco, é entregue nas águas de um rio, acompanhada das seguintes rezas:

1 - Egbe, afável mãe, apoio suficiente para os que a cultuam.
Aquela que usa roupas de veludo e que, elegante, come cana-de-açúcar nos caminhos de Oyó.
Aquela que gasta muito dinheiro comprando azeite de dendê.
A que está sempre fresca e que possui muito óleo, que utiliza para realizar milagres.
Aquela que tem dinheiro para luxo, a linda.
A que sucumbe ao seu marido, como a uma pesada clava de ferro.
Aquela que possui dinheiro para comprar, mesmo as coisas mais caras.

2 - Por favor, permita-me usar um ojá.
Por favor, permita-me possuir um ojá.
Um ojá é o que usamos para prender uma criança às nossas costas.
Eu posso, a cada cinco dias, cultuar Egbe.
Mãe Egbe, que mora entre as plantas.
Dê-me meus próprios filhos.
Eu posso cultuá-la a cada cinco dias.

Apesar de atormentar as crianças, Egbe Eleriku tem o poder de dar filhos e fortuna às mulheres que a cultuam e nem todas as crianças são por ela perseguidas. Um oriki de Egbe Eleriko, recolhido em Ibadan, demonstra a ligação acima referida, e serve como uma súplica feita pelas mulheres que, sob sua proteção, desejam filhos sadios e livres da praga.

Mãe proteja-me e eu irei ao rio.
Não permita a abíku entrar em minha casa.
Mãe proteja-me, eu irei ao rio.
Não permita que uma criança maldita venha à minha casa.
Mãe proteja-me, eu irei ao rio.
Não permita que uma criança estúpida siga-me até minha casa.
Olugbon morreu e deixou filhos no mundo.
Aresá morreu e deixou descendência.
Olukoyi morreu e deixou descendência.
Não permita que eu morra sem ter tido filhos.
Eu não posso morrer de mãos vazias, sem descendentes
.

Um procedimento muito usado para constatar a presença do Abíkú, no caso de falecimento de uma criança de menos de nove anos, faz parte de um ritual durante o qual, o cadáver do pequenino, depois de lavado com infusões de ervas sagradas, é marcado com cortes superficiais em diversas partes do corpo, feitos com afiadas lâminas de aço. Através destas escarificações são introduzidos alguns tipos de pós obtidos da moagem de elementos naturais, considerados mágicos. Cortes mais profundos são feitos no alto da cabeça e o lóbo de uma das orelhas é extirpado. Um guizo de ferro fornecido pelo Egbe Obá é atado ao tornozelo do cadáver que, só então, receberá sepultura.

A próxima criança gerada pela mãe do falecido, se apresentar uma das marcas feitas no cadáver de seu irmão, se possuir lóbo duplo ou bipartido numa das orelhas, ou ainda, se possuir um sexto dedo num dos pés ou mãos, estará caracterizando a presença do Abíkú, devendo ser imediatamente submetida aos rituais que lhe preservarão a vida e que, da mesma forma que os procedimentos relativos ao cadáver de seu falecido irmão, só podem ser ministrados por um sacerdote do culto de Ifá, Babalawo consagrado e especializado neste tipo de ritual.

Assegurado o nascimento da criança, e tendo esta efetivamente nascida com vida, deverá então ser submetida aos rituais propiciatórios, para que o espírito permaneça naquele corpo, com a garantia de que será aquela a sua última encarnação.

Um ebó será preparado, com um pedaço de tronco de bananeira vestido com roupas e gorros tingidos de osun e bordados de búzios e guizos. Pendura-se tudo nos galhos de uma árvore e, no chão, arria-se, ao redor do tronco, pratos ou alguidares de barro contendo inhame, acarajé, ekurú, akasá, canjica, doces, frutas, bebidas, folhas ritualísticas, tudo bem coberto com mel de abelhas. Uma cabra, um pombo e um galo são sacrificados e arriados no local, onde permanecerão por algum tempo. Depois, embrulham-se os corpos dos animais sacrificados num pano branco, cobre-se com bastante pó de efun, amarra-se e enterra-se nas margens de um rio, ou despacha-se nas águas, de acordo com a orientação obtida através do oráculo.

Na confecção do ebó, não são utilizadas rezas ou cânticos, sendo exigida, isto sim, a presença dos pais do Abíkú, que deverão saber o objetivo do ebó. As mesmas folhas oferecidas no sacrifício serão utilizadas em banhos e na confecção de pós mágicos que serão esfregados nas incisões do Abíkú e na preparação do amuleto ondê, que deverá acompanhá-lo pelo resto da vida. As folhas têm que ser consagradas antes de sua utilização e, para isso, possuem ofós específicos, que ressaltam suas qualidades e funções.

virligiams@gmail.com

Plantas Consagradas aos Abikús


Estas são as plantas sagradas dos, utilizadas em seus rituais:

- Abirikolo - Corresponde, no Brasil, à cascaveleira, também conhecida como amendoim-do-mato, ou ainda, xekeré.
- Agidimagbayin - walteria americana - Folha de veludo, erva de soldado.
- Idi - Amendoeira.
- Ija - Osun - Bixa orellana, Lin.
- Lara pupa - Mamona vermelha.
- Olobutoje - Pinhão-da-Bahia.
- Opa emere - Dobradinha-do-campo.

Estes são os ofós de consagração de cada folha:
Abirikolo: Ewe abirikolo, insinu Orun e pehindá. (Folha abirikolo, coveiro do céu, retorne).
Agidimagbayin: Ewe agidimagbayin, Olorun maa ti kun, a a ku mo. (Folha agidimagbayin, Olorun fecha as portas do Orun para que não morramos mais).
Idi: Ewe idi lori ki ona Orun temi odi. (Folha idi, diga que o caminho do Orun está fechado para mim).
Lara pupá: Ewe lara pupá ni osun a won abíkú. (A folha lara pupá é o cânhamo).
Olobotuje: Olobotuje ma je ki mi bi abíkú omó. (Folha de olobotuje, não me deixe parir filhos).
Opa emere: Opa emere kipe ti fi ku, yiomaa ewu ni, nwón ba ri opa emere. (Galho de emere não permita que eles morram - a vara de emere os apazigua).

Formalizado o pacto, a criança viverá normalmente, como qualquer ser humano, só devendo morrer em idade bastante avançada. Acredita-se que os seres humanos dotados de espírito Abíkú, talvez pelo alto grau de evolução de seu Ipori, são dotados de muita inteligência e, no decorrer de suas vidas, transforma-se em verdadeiros líderes, dedicados ao bem estar de sua comunidade e principalmente dos seus familiares.

virligiams@gmail.com

Nome dos Abikús


Às crianças Abíkú que conseguem sobreviver, são dados nomes específicos que fazem referência à sua especial condição de nascimento. Isto deverá ocorrer sempre, no sétimo dia depois de seu nascimento - se for menina, ou no nono dia - se for menino. No caso de gêmeos, os nomes serão dados no oitavo dia após o nascimento. Esta festividade que comporta um ritual é denominada Ikomojade, e tem por finalidade principal, dar aos Abíkús, nomes que desestimulem sua volta ao Orun, alguns dos quais, com seus respectivos significados em português, relacionamos em seguida:

Malómo - não vá embora novamente
Kosokó - não existe mais terra- a terra acabou
Banjokô - sente-se e fique comigo
Durosimi - espere para me enterrar quando eu morrer
Jekiniyin - permita que eu tenha um pouco de respeito
Akisotan - não existe mais mortalha para o sepultamento
Apara - aquele que vai e vem
Okú - o morto
Igbe Koyi - nem a floresta quer você- a selva rejeita essa criança
Enú- Kún-Onipê - o consolador está cansado
Tijú-Icú - envergonhe-se de morrer
Buro-Orí-Iké - fica, espere e veja como serás mimado
Aiye Dun - a vida é doce
Aiye Lagbé - ficamos no mundo
Age Igba - que a riqueza não se perca
Ajuki - o morto viverá
Apaara - frequenta minha casa
Ayomu mo - vai pra o céu e volta
Bajoko – senta-se ao meu lado
Duro – me atende e fica
Duro Joyé – continua a gozar a vida
Sinmi – é difícil ficar enterrado
Shome – difícil fazer as crianças permanecer
Toyé – se ficares, receberás homenagens
Wojú – difícil olhar para os meus olhos
Ebe Loko – implora pra ficar
Ení Lolobo – alguém partiu e voltou
Inu Kuno naipe – estou cansado (a) de receber pêsames
Ikú Faryin – a morte perdoa
Iletan – está acabado
Kike – indulgente
Kaje Yu – não é aceito para morrer
Kokun – não morras mais
Koni Bi Re – não vai lá
Kosile – não vai enterrar mais
Ifari – chamemo-lhes
Kosoko – não vai cruzar o túmulo
Kumipayi – Kuti – a morte não mata mais este aqui
Maku – não morre mais
Matnami – não larga mais a vida
Obi Mesan – não vingarás
Ikú Okura – a morte é apenas um nome
Oku se Hiyn – o morto que retorna
Amatunde – o menino que retorna
Orun Kun – o céu está cheio
Ratini – suporta-me
Tomi Mowo – quem sabe como cuidar
Tijuiko – vergonha da morte
Jekin-niyin – me dá seu preço
Akuji – o que está morto, desperta
Omotundé – a criança voltou.

Como se vê, os nomes Abíkús renegam a morte e a possibilidade de retorno ao Egbe Orun. Ressaltam a vida e o quanto é bom desfrutar das coisas existentes sobre a Terra, principalmente o amor dos pais e irmãos. Estas crianças devem ser chamadas, sempre, por estes nomes, o que ajuda o rompimento definitivo do seu vínculo com o grupo Emeré.
Periodicamente oferecem-se comidas ritualísticas às crianças Abíkú, o que acontece, invariavelmente, por ocasião de seus aniversários natalícios, produzidas principalmente, com feijões e óleo de palma. Acredita-se que durante estes festivais, os espíritos Abíkú se apresentam e, ao participarem do evento, são apaziguados.

REZA PARA OS ABIKÚS
Nibi ti a gbe Agbalagba Osá
L'eri ate,
Osá w'pe k'a ru ebo.
Opé kan sekìsekì
Babalawo Egà L'o da f'egà
Egà l'o da f'Ega. Egà nf'omi je sogbéré omo.
Ha ! nwon ni ki Egà ó ru ebo:
Nwon ni ki Ope ó ru ebo.
Nwon ni nwon ó se awo.
Nwon ni ki awo nã
Ki nwon o le san òre rì fun.
Ope ni howu !
Eni o ba s'ore fun,
Eti she ti o fi ni se ore f'on ?
Ope o ru.
Egà, on ti se t'on le'i bí mó ?
Won ni k'o ru ebo.
kil'on ru ?
Nwon ni e r'egba merinlaã;
K'o ru aso ara e,
Egà ru'bo;
Egà bere s'omo bi.
Nigbati egà o wa ni aso l'ara ma,
Awon omo ni, kini a gba aso l'owo re ?
Ol'ope ni.
l'awon omo ba bere si imo Ope ya;
Ni nwon ba nlo f'aso Ope ya,
Ni nwon fi nko'le.
Nibi ti egà o je ki Ope o gbadun ma,
Ti nwon nya ewe re,
Ti nwon nlo fi ko'le l'oni nu.
Egà ni nwon njo, ni ny'o;
Ni nyin awon awo,
L'awon awo nyin, Sà
Pe be ni awon awo t'on senu re wi.
Ope kan sekiseki
L'o da fegà.
Egà nf'omije se beré omo.
Ope sekiseki. egbi mo tan
o ni ri mò bo'ra.
Osá pe ire aje.
Nibi ti àá gbe gbodo lo
Aso t'a ba gba n'be nu.
A gbodo lõ;
Aso nã, a fi t'ore ni.
B'Osa ti wi nu.

TRADUÇÃO:
Quando as divindades mais velhas surgiram na bandeja.
Os Orixás disseram que devemos oferecer sacrifícios.
Uma Palmeira Repleta de Muitas Folhas
O adivinho de Ave Tecelã da Aldeia foi quem consultou para o pássaro.
Ave Tecelã da Aldeia implorava por filhos.
Ha! Eles disseram que a ave deveria oferecer um sacrifício.
Eles disseram que as marcas deveriam ser cuidadosamente observadas.
A Palmeira disse: "O que? A qualquer um eu trato gentilmente,
Por que não são gentis comigo?"
A Palmeira não fez o sacrifício.
Ave Tecelã da Aldeia, por que não tratar gentilmente o filho do urso ?
Eles disseram que ela deveria oferecer um sacrifício.
O que ela deveria oferecer?
Deveria oferecer vinte e oito mil búzios.
Deveria oferecer a roupa que estivesse vestindo.
Ave Tecelã da Aldeia ofereceu o sacrifício.
Ave Tecelã da Aldeia começou a gerar filhos.
Quando não tinha mais roupa no corpo,
Seus filhos perguntaram: "Quem tomou a tua roupa?"
Ela disse - "Foi a Palmeira".
Seus filhos começaram a rasgar as folhas da Palmeira.
Eles rasgaram a roupagem de folhas da Palmeira.
Eles construíram seus ninhos com elas.
É por isso que os pássaros
Nunca deixam as palmeiras em paz,
Estão sempre se movimentando entre suas folhas.
Ave Tecelã da Aldeia dançou, ela ficou feliz;
Ela louvou as Divindades,
E as Divindades louvaram Oxalá,
Porque seu adivinho foi capaz de falar a verdade.
Uma Palmeira Repleta de Muitas Folhas
Foi aquele que consultou para Ave Tecelã da Aldeia.
Ave Tecelã da Aldeia suplicou por filhos
E não encontrou folhas para vestir o seu corpo.
Orixá diz - "Alegria do dinheiro,
Isso é coisa que não desfrutamos,
A roupa que recebemos como sacrifício
Nós não devemos usar.
“Nós devemos distribuir a roupa como um dom”.
Foi isto que Orixá disse!

virligiams@gmail.com

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Nações do Candomblé


Vamos começar definindo NAÇÃO para nós do candomblé.

Usamos a palavra NAÇÃO para distinguir seus segmentos. Segmentos esses que são diferenciados pelo dialeto utilizado nos rituais, pelo toque dos atabaques, pela liturgia. A nação indica de onde vieram os escravos que lhe deram origem na nova terra e das divindades por eles cultuadas.

Quem veio do Sudão, por exemplo, são representadas pelo grupo YORUBÁ, conhecido como nagô, que por sua vez representado pelas nações:
Ketu
Efan
Ijexá
Nagô Egbá
Batuque do Rio Grande do Sul
Xambá de Pernambuco

O grupo dos DAOMEANOS é representado pelas nações JEJE que são:
Fon
Éwé
Mina
Fanti
Ashanti
e outros menores como Krumans, Agni, Nzema, Timini.

As civilizações islamizadas são representadas por Fulas (Peuhls), Mandingas, Haúça e, em menor número, Tapa, Bornu, Gurunsi ou Grunci.

As civilizações BANTOS do grupo angola-congolês são representadas pelos ambundos de Angola (cassanges, bangalas, in-bangalas, dembos), os congos ou cabindas do estuário do Zaira e os benguela com diversas tribos escravizadas.

As civilizações BANTU da Contra-Costa são representadas pelos moçambiques (macuas e angicos), tendo sido o grupo Bantu reduzido às nações:
Candomblé Bantu
Angola
Congo
Cabinda

Infelizmente, a escravidão dividiu as sociedades africanas em todos os sentidos (e essa é mais uma dívida que temos com os africanos). Com o fim das linhagens, dos clãs, das aldeias, da realeza, se apegou ainda mais aos seus deuses e ritos, uma vez que foi a única coisa que restou de suas regiões de origem.

Guardiões da cultura oral, os escravos guardaram em sua memória os movimentos de dança, os toques dos atabaques, a comida ritual, as rezas e cânticos, na nova terra chamados de Cantiga no candomblé e pontos cantados na Umbanda.

O silêncio, o segredo (calundus) e o isolamento armado em quilombos e mucambos são formas de resistência e esperança de reconstituir na nova terra seus ritos, costumes e hierarquia.

A resistência dos negros ao regime de subordinação ou exploração do qual foram vítimas encontram portas abertas na religião, nos quilombos, confrarias - locais de reuniões assim chamados antes de receberem o nome de candomblés que também foram usados como esconderijo.

A seguir, falaremos de cada uma dessas nações e suas particularidades
Candomblé de Angola
Candomblé Djedje (Gêge ou Jeje)

Candomblé Ketu/Nagô

virligiams@gmail.com

Candomblé de Angola




Religião afro-brasileira, de origem BANTO, que compreende as nações de Angola e Congo (Cassanges, Kikongos, Kimbundo, M´bundo e Kiocos), e se desenvolveu entre os escravos africanos que falavam a linguagem Kimbundo e Kikongo e são facilmente reconhecidos pela maneira diferente de cantar, dançar e percutir seus tambores.

Na hierarquia de Angola o cargo de maior importância é para homem Tata Nkisi (tata de inquinces) e para mulher Mametu Nkisi (Mametu de inquices), que correspondem ao Babalorixá e a Yalorixá dos Yorubás, e o Deus supremo é Zambi (Nzambi) ou Zambiapongo (Ndala Karitanga).

O Candomblé de Caboclo é uma modalidade desta nação, e cultua os antepassados.
Há uma nação que faz parte do Batuque do Rio Grande do Sul que descende de Angola, que é a Cabinda.

Os rituais da nação Angola começam com o Massangá, que é o batismo na cabeça do iniciado, feito com água doce e Obí. 
Segue então o Borí com sacrifício de animais para o uso do sangue (menga), em seguida o Ritual de Raspagem, conhecido como feitura de santo. 
Ritual de obrigação de 1 ano. 
Ritual de obrigação de 3 anos - onde muda o grau de iniciação. 
Ritual de obrigação de 5 anos, com o uso de frutas e por fim, a obrigação de 7 anos, quando o iniciado recebe seu cargo, é elevado ao grau de Tata Nkisi (zelador) ou Mametu Nkisi (zeladora). 

Após 7 anos de obrigações, será renovado a cada ano com o rito de Obí ou Bori, conforme o caso, e de 7 em 7 anos se repete as obrigações para conservar o indivíduo forte, se transformando em “Kukala Ni Nguzu”, que quer dizer UM SER FORTE.

Em frente a toda casa de Candomblé Angola existe um mastro com uma bandeira branca que representa a nação MUKUIÚ N'ZAMBI.

virligiams@gmail.com